O grande “barato” e as dificuldades das provas longas

Irei direto ao ponto. Eu CORRO longas distâncias porque gosto da solidão e do silêncio que vivencio durante o percurso; porque tenho tempo de ouvir e entender meu corpo; de encontrar meu ritmo; de observar a paisagem; de colocar os pensamentos em ordem e de não pensar em nada. Corro ultramaratonas porque o desafio me atrai e me realizo muito ao concluir o percurso.

Eu nunca fui “expert” em nada, na escola não era a aluna mais inteligente, nem a mais bonita, tampouco a mais popular.

Tudo foi sempre difícil, aliás como é para a maioria das pessoas menos conformadas.

Quando comecei a correr, fui me identificando como uma atleta com grande resistência física e mental, isso me deixou muito satisfeita, afinal eu tinha encontrado algo em que era boa para fazer, quem sabe um dia eu me torne uma “expert” nisso?!

Fiz muitas corridas com amigos, principalmente de rua, gosto de estar com eles durante a corrida, mas confesso que o barulho, a multidão acelerada e a preocupação com o tempo não me deixam muito à vontade.

Evidentemente, não se trata de algo fácil, pelo contrário, esta solidão a que me refiro já me deixou amedrontada, insegura, tanto que me fez recuar e encurtar o percurso de uma prova muito importante e desejada por mim. Isso aconteceu na La Mision, prova de 160 km, em San Martin de Los Andes/Argentina, em 2018.

Ao longo do percurso eu fique muitas horas sozinha, enfrentei 12 horas de chuva e, sem a calça impermeável, passei muito frio, sofri quedas e a moral não resistiu, passei a ter pensamentos negativos e só cheguei ao posto de controle da prova porque outro atleta, um desconhecido, me acompanhou.

Depois de me aquecer e secar minhas roupas, prossegui com outros dois brasileiros e optei por fazer um percurso menor, de 110 km.

A solidão não me ajudou neste caso, mas saí de lá mais forte do que cheguei, trouxe minha medalha e algumas lições na bagagem, certamente vou voltar para concluir os 160 km.

Correr é um aprendizado constante, ora estamos em alta, atingindo pódios e concluindo provas duras, ora estamos frágeis e lesionados, precisando treinar mais e fortalecer o corpo e alma.

Aprendemos com as derrotas e nos desafiamos a fazer melhor.

Eu sou assim, e você?

Na próxima, quero dividir com vocês um pouco mais sobre o treinamento e a preparação escolhidos por mim.

Estela Vaz
Ultramaratonista amadora
2019 – finisher Badwater 135 – EUA
2019 – finisher BR 135 – Brasil
2018, 2017, 2016 – finisher UAI Ultramaratona dos Anjos Internacional – Brasil
Contato: estela-vaz@hotmail.com 
instagram @vaz.estela


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3 Comentários

  1. Puxa vida !!! Fiquei emocionada pois sempre me senti assim ! Nunca fui também a mais inteligente nem a mais bonita e muito menos a mais popular. De repente encontrei algo em que sou boa ,na corrida e exatamente nas longas distâncias . Adoro também a solidão que estas corridas proporcionam. Obrigada por compartilhar Estelinha;!! Sou sua fã . Bjs

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