Por que correr uma Ultramaratona?

Badwater

Antes de responder esta questão, vou fazer uma breve apresentação.

Sou mãe, esposa, dona de casa, trabalho fora e sou, também, corredora amadora, completo hoje 45 anos de idade.

Me dedico, em especial, a correr ultramaratonas, corridas com distância superior a maratona – 42,195m. No meu caso, as corridas longas a que me refiro são superiores a 100, 200km.

Pronto, já estão me chamando de maluca, imagino que eu seja mesmo um pouco fora da casinha.

Bem, quando eu comecei a correr em 2011, ficava emocionada ao terminar as provas que tinham pela cidade de 5 e 10km. A partir disso, fui me dedicando mais ao treinamento e me desgarrei do grupo inicial de amigos caminhantes e corredores e passei a treinar para minha primeira meia maratona, que foi no Rio de janeiro em 2012, aliás bela prova.

A partir daí foi um pulinho, quer dizer alguns quilômetros, mas esta jornada é assunto para outra coluna.

Agora, para exemplificar o que significa correr uma ultramaratona, vou compartilhar com vocês um pouco do que foi minha participação na BADWATER 135, no Parque Nacional do Vale da Morte (Death Valley National Park), Califórnia, EUA. Uma das corridas a pé mais difícil do mundo, com 135 milhas (217 km), onde as temperaturas ultrapassam 45º C, sendo um dos lugares mais quentes, áridos e baixos do planeta.

Para participar é preciso ser aceito, isso mediante comprovação de experiência em corridas longas e sendo algumas delas específicas, como a BR 135, ultramaratona internacional realizada no Brasil com a mesma distância, na qual eu fui a segunda colocada em janeiro deste ano.

As dificuldades foram muitas, mas eu estava preparada e bem treinada, foram 5 meses de treinamento árduo, acordando de madrugada seis dias na semana, intercalando o treino de corrida com musculação e natação. Aos sábados eram os treinos longos e em horários diferenciados.

Apesar de ser atleta amadora, precisei de uma equipe para me ajudar antes da prova, como nutricionista, médico do esporte, educadores físicos. E durante, uma equipe com veículo, formada por meu marido, filho e também uma americana que já conhecia a prova no deserto.

Nada foi fácil, as altas temperaturas foram implacáveis, foram utilizados muitos sacos de gelo, água e suplementos apropriados para a reposição energética e eletrolítica.

Os membros da equipe me mantiveram hidratada, alimentada e ativa, com gelo no pescoço e água gelada na cabeça e no corpo a cada 3 km.

Respondendo à questão título, digo que aprendi muito e me considero uma atleta e um ser humano muito melhor, foi um passo largo, muito largo, e espero ter pernas para outros tão grande quanto. Correr ultramaratonas é usar a força interior, da mente, do coração, e por fim, das pernas.

Detalhes sobre esta e outras aventuras, vou dividir com vocês nesta coluna a cada 15 dias, hoje foi só uma palhinha.

E para fechar, como já diz a canção “… longe se vai, sonhando demais …”


Estela Vaz

Ultramaratonista amadora

2019 – finisher Badwater 135 – EUA

2019 – finisher BR 135 – Brasil

2018, 2017, 2016 – finisher UAI Ultramaratona dos Anjos Internacional – Brasil

Contato: estela-vaz@hotmail.com 

instagram @vaz.estela

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6 Comentários

  1. Conheci Estela em 2011 e digo que é um orgulho muito grande saber do seu progresso. É um exemplo de pessoa dedicada e só tenho que parabenizar todo o seu esforço e garra. Que venham muitas outras provas pra nos deliciarmos com suas histórias. Parabéns, parabéns e sucesso cada vez mais.

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