Ultramaratona Brasil, 24 horas Caieiras

A primeira corrida do ano foi um mega desafio, por ser novidade para mim, Nunca corri numa pista antes, muito de 400 m e por 24 horas.

Mais de 100 atletas estavam presentes no evento, realizado na cidade de Caieiras, próximo a São Paulo. Tivemos ainda 12 horas, 50 e 100 km.

Com largada às 8h de sábado, iniciei uma jornada de aprendizagem pessoal muito profunda. Apesar da minha experiência e da capacidade de focar por horas numa corrida, de sobreviver e superar dores físicas causadas pelo cansaço extremo, precisei buscar dentro de mim uma força interior que, embora imperceptível, todos nós temos.

Nas primeiras horas iniciei como de costume, sem exageros, já que seriam muitas horas e o sol forte castigava. Todos os atletas tinham suas equipes de apoio, que ficavam fora da pista com suas tendas, coolers, barracas e provisões para auxiliar na alimentação e no atendimento que fosse necessário. O clima era de companheirismo, todos estavam no mesmo “barco”.

Continuando, depois de poucas horas, comecei a me sentir incapaz, com medo até, não conseguia manter uma constância, ou corria muito, ou andava. Os suplementos e alimentos não extraíam de mim o pensamento de desistir. Barba, meu apoio e companheiro de vida, não permitiu, disse para continuar e que em breve eu estaria “de volta” na prova. Eu me sentia tão incapaz, um lado meu dizia: “Estela, você escolheu esta prova exatamente por ser diferente, por ser um novo desafio. Supere e faça o seu melhor!” Até atendimento médico eu recebi, tinha dificuldade em urinar e precisei receber hidratação, aliás a equipe médica trabalhou bastante, foram muitos atendimentos.

Após muitas horas morrendo na pista, já de noite, eu “ressuscitei” e voltei a participar da prova. Foi a noite toda correndo atrás do prejuízo, precisei recuperar o tempo que tinha perdido enquanto estava recebendo soro ou quando estava parada com pensamentos negativos. Estabeleci que iria correr as duas retas e uma das curvas, a outra curva faria tangenciando em caminha acelerada. Assim eu fui, até que nas parciais da prova meu nome começou a aparecer ao lado das primeiras atletas, sabia que as primeiras não seria possível alcançar, então foquei em superar, em voltas, as mais próximas da minha classificação. Para isso contei com apoio de amigos queridos e de atletas que nem me conheciam, me apoiaram e torceram por mim.

O aprendizado foi de que nós sempre temos mais energia e capacidade do que imaginamos, basta achar a fonte desta energia e catalisar em pensamentos e ações positivas e efetivas.

Agora bora voltar para provas na terra, correr livremente pela natureza, lá é o meu lugar.

Ultramaratona Brasil – 3ª edição – Caieiras – maiores informações acessar – facebook.com/ultramaratona brasil – caieiras sp

Estela Vaz
Ultramaratonista amadora
2019 – finisher Badwater 135 – EUA
2019 – finisher BR 135 – Brasil
2018, 2017, 2016 – finisher UAI Ultramaratona dos Anjos Internacional – Brasil
Contato: estela-vaz@hotmail.com
instagram @vaz.estela

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